CONTATO          TERAPIA DE CASAL          PSICOTERAPIA          A PSICÓLOGA         BIBLIOGRAFIA   

Ansiedade | Sonhos | Auto Estima | Ciúmes normal e excessivo | Ciúmes, Insegurança e tratamentoStress | Fobias | Fobia Social  Depressão | Tratamento do Transtorno do Pânico | TOC ou Transtorno Obsessivo Compulsivo | Agorafobia | Identidade Sexual |Auxílio psicológico para parar de fumar |

Kelen de Bernardi Pizol - Av. Paulista, 1471, 11o. andar, Jardins,  metrô Trianon Masp / São Paulo

psicóloga graduada e pós-graduada pela USP, kelenpizol@hotmail.com


ANSIEDADE: INDICAÇÃO DE PSICOTERAPIA

          É comum em determinadas situações cotidianas as pessoas sentirem um certo grau de ansiedade. No dia-a-dia, todos nós enfrentamos problemas que podem nos deixar tensos e ansiosos. A ansiedade normal é necessária, pois nos deixa alerta para enfrentar as dificuldades e os perigos. Ela diz respeito a um estado de prontidão, que é uma força propulsora que nos ajuda a tomar decisões e a agir.

          Quando a ansiedade toma maiores proporções, tornando-se prolongada e profunda, um estado quase constante de preocupação ou medo ou tensão, prejudicando o desempenho e/ou trazendo grande sofrimento, a psicoterapia é indicada.

          A ansiedade excessiva, além de angústia, pode produzir também problemas físicos. Dores de cabeça, náuseas, dores no corpo, problemas de estômago podem ser causados por ansiedade.

          A terapia cognitiva comportamental procura tratar a ansiedade ajudando a pessoa a identificar, avaliar e modificar este modo de funcionamento, os julgamentos de perigo, controle, e outros,  e os comportamentos que podem estar mantendo-os.


PSICOTERAPIA

          Uma sessão de psicoterapia tem a duração de 50 minutos e frequência mínima de uma vez por semana, podendo ocorrer mais vezes, conforme a avaliação da psicóloga e o interesse do paciente. Destina-se às pessoas que querem se conhecer melhor, que têm algum transtorno, que estão passando por um momento de crise ou ainda que necessitam de ajuda psicológica por outros motivos.

          Exemplos de razões que levam as pessoas a procurarem psicoterapia: auto-conhecimento, depressão, transtornos ansiosos (transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico com e sem agorafobia, fobia social, fobias específicas), obesidade, dificuldades afetivas (familiares, de relacionamento, amorosas), timidez, problemas de identificação sexual, dificuldades no trabalho, etc.

          Como se vê, os motivos podem ser os mais variados e existem muitos outros que não foram listados aqui. O mais importante no processo terapêutico é a confiança no psicólogo e o envolvimento da pessoa com o processo psicoterápico.


SONHOS E PSICOTERAPIA

          Os sonhos e sua interpretação tem suscitado a curiosidade da humanidade desde tempos remotos. De papiros egípcios à Biblia, do início da psicologia aos consultórios dos modernos psicólogos cognitivos, esse é um tema presente.

          Na verdade, o que representam nossos sonhos? Eles são uma parte do nosso "lado escuro", aquela parte muitas vezes misteriosa de nós mesmos, com os nossos desejos, os nossos medos, as nossas impressões do mundo. Decifrar um sonho é ver um pouco mais este lado ao qual nem sempre nós valorizamos e assim nos conhecermos ainda mais.

          A psicoterapia entra exatamente aí, no processo de auto conhecimento, sendo que os sonhos podem ser uma poderosa ferramenta neste propósito. Interpretar um sonho é uma tarefa que a pessoa pode realizar sozinha, também, mas o que distingue este trabalho solitário do feito conjuntamente com o psicólogo é que na psicoterapia o conhecimento sobre si gerado pelo sonho entra dentro de um contexto maior, onde ambos, o paciente e o psicoterapeuta, vão trabalhando cada vez mais profundamente com um propósito em comum. Além disso, por um lado, muitos símbolos significam algo semelhante para um grande número de pessoas, mesmo em círculos culturais distintos, como bem assinalou Jung, mas por outro, a compreensão da imagem onírica deve se dar dentro das experiências presentes e passadas daquela pessoa única, portanto é necessário uma visão global de ambos aspectos para se fazer a interpretação, o que na maior parte das vezes não está presente em quem não trabalha com este tipo de material frequentemente, como o psicólogo.

          Já foi falado que os sonhos indicam nossos desejos ocultos, ou que eles são a comunicação entre o nosso consciente e o nosso inconsciente. Biologicamente falando, os sonhos fazem parte do nosso processo de sono, o qual tem 5 estágios, sendo o mais relevante neste assunto o estágio REM (rapid eyes movement). Nós temos em uma noite aproximadamente uma hora e meia a duas horas de sono REM, que se distribui em aproximadamente 90 minutos e repete-se em 4/5 períodos do sono, sendo cada vez mais extenso (de 10 mins até 30 mins ou mais). Geralmente nos lembramos mais de nosso último sonho, pois ele acontece na fase mais extensa do sono REM, antes de acordarmos. Segundo pesquisas, os bebês de 6 a 8 meses já sonham, pois há atividade cerebral elevada e fase REM em quase todo o tempo do sono.

          Pesquisas realizadas com milhares de relatos de sonhos indicam que em nossos sonhos as sensações desagradáveis são mais frequentes que as agradáveis e que o conteúdo dele depende muito do sexo e da idade da pessoa que sonha. Já fatores como formação, classe ou raça parecem não serem importantes com relação ao conteúdo dos sonhos.

          A experiência clínica demonstra que funções importantes de alguns sonhos são nos oferecer resolução para nossos problemas ou nos avisar de perigos.

          Já está superada a visão de Freud de que os sonhos dissimulam ou escondem algo de nós mesmos. O que acontece é que o sonho nos apresenta sua mensagem de modo cifrado. Na verdade, as imagens oníricas significam exatamente aquilo que mostram e os sonhos devem ser interpretados tão literalmente quanto possível. Como bem afirmou o famoso pesquisador de sonhos, Calvin Hill., o significado de um sonho não pode ser encontrado em alguma teoria sobre os sonhos; ele se encontra no próprio sonho.

quer saber mais a respeito de sonhos? entre em http://www.avcweb.com/dreams/tips-recording.htm


AUTO-ESTIMA

Kelen de Bernardi Pizol

O conceito que se tem de si mesmo é primordial para se viver bem e ser feliz. A imagem que todos nós formamos de nós mesmos, através de nosso desenvolvimento e de nossa história de vida, nos diz quem nós somos, o que podemos esperar dos outros e de nós, até mesmo o que achamos que merecemos ter e ser. Dependendo de como construímos a matriz de nossa imagem pessoal é que veremos a nós mesmos e aos outros. É através desta lente que veremos o mundo e a partir disso que agiremos. Acontecimentos podem modificar essa imagem, “rachando” a lente original ou tornando-a ainda mais escura.

Quem tem a estima baixa está sujeito a vários problemas psicológicos, tais como depressão ou ansiedade, pois seu modo de ver o mundo e conseqüentemente de se comportar o faz se sentir infeliz ou inseguro e preocupado e o deixa mais propenso a cair nas armadilhas da vida. No campo amoroso, o indivíduo pode, por exemplo, entregar-se a relacionamentos que o machucam ou que não têm a oferecer o que ele quer de fato, por um pouco de atenção. Também pode se tornar ciumento em demasia, por exemplo por acreditar que o ser amado poderá encontrar alguém que considere melhor do que ele. Na vida pessoal ou profissional, a pessoa com baixa estima pode deixar boas oportunidades passarem, por não se achar bom o suficiente para ocupar aquela posição ou lutar por aquilo, por exemplo. Pode deixar de cuidar do seu corpo como cuidava anteriormente e isso torna-se um círculo vicioso que parece a ele não ter saída. O dó de si mesmo é comum em quem tem baixa auto-estima, assim como o medo de não conseguir ou de perder o desejado. A pessoa considera-se vítima das circunstâncias, dos maus relacionamentos, da “falta de sorte”. Patamares elevados de perfeição podem rondar sua fantasia, pondo-se como uma barreira à realização de desejos que se tornam inatingíveis vistos desta ótica. O outro pode ser visto como sempre melhor, mais desejável, mais competente, mais provável de amor do que ele.

            Pessoas com um bom conceito de si olham a vida de frente, confiam em si mesmas para conseguir as coisas que almejam e para superar as dificuldades que possam surgir. Quem tem auto-estima positiva sabe que mesmo se tudo der errado, mesmo que os problemas tenham sido o resultado de um ato próprio, ele tem valor e pode investir em si mesmo para que tudo melhore.

A valorização de si mesmo é um processo que se constrói no dia-a-dia e que pode ser ajudado através do auto-conhecimento. Quem se conhece, sabe da riqueza que existe em seu mundo interior, sabe dos recursos de que pode lançar mão nos momentos bons e ruins, confia mais em si mesmo.

            Para conhecer-se melhor o indivíduo deve olhar para seu interior, entrar em contato com ele e questioná-lo. Um modo de conhecer melhor a si mesmo, ter mais consciência de si e de seu mundo interior é fazer psicoterapia. A psicoterapia   objetiva este contato consigo mesmo e com a riqueza que se carrega, nela pode ser feito um questionamento e redimensionamento do viver. 


CIÚMES NORMAL E EXCESSIVO

Kelen de Bernardi Pizol 

     Algum nível de ciúmes é necessário em  todo relacionamento. Todos nós, alguma vez, já o sentimos.  As pessoas costumam dizer que o ciúmes é o tempero do amor, aquela pitada que o incrementa, mostrando que o interesse mútuo permanece aceso. A presença de ciúmes é saudável nas relações amorosas. O ciúmes serve como um sensor, uma medida da segurança que se sente na relação. Sua ausência, tanto quanto seu excesso, pode prejudicar o relacionamento. No caso do ciúmes normal, a honestidade e o reasseguramento do companheiro são importantes. 

    Muitas vezes reações de ciúmes são esperadas, por exemplo na descoberta de uma infidelidade. 

    Quando não há intimidade suficiente no relacionamento, o ciúmes também pode se intensificar, pois o companheiro tenta desesperadamente se orientar em uma estrada onde a sinalização não é clara e por isto testa o relacionamento constantemente. 

    Quando o ciúmes se torna excessivo, ao invés de fazer bem ao relacionamento, acaba tendo o efeito oposto, muitas vezes afastando o companheiro. Na ânsia de não perder a pessoa amada, o ciumento cerceia seus passos e sua liberdade de tal modo, invadindo seu espaço pessoal e sua privacidade, ferindo seus sentimentos com acusações infundadas, que afrouxa os laços que os uniam. O controle que o ciumento tenta impingir aos seu parceiro vai "sufocando" a vítima do ciúmes, que se afasta cada vez mais para poder "respirar". Seus atos, suas amizades, seu trabalho, seus pensamentos, suas fantasias e lembranças, tudo parece ameaçar a segurança do ciumento. O ciúmes doentio faz com que sua vítima se sinta cada vez mais ressentida com a falta de confiança do companheiro em seu comprometimento para com ele. 

    De modo geral, o ciúmes muito intenso é sinal de dificuldades emocionais.

    A desvalorização de si mesmo, a baixa estima, é uma das causas importantes do ciúmes intenso. Pessoas seguras de si, de seu valor, costumam lidar bem com seus sentimentos de ciúmes, não se deixando levar por eles e até fazendo com que revertam em proveito do próprio relacionamento. A segurança contra a competição é a grande arma destas pessoas. O medo da intimidade também pode ser uma das causas do ciúmes em demasia, que é utilizado neste caso para distanciar o parceiro. Outro fator que pode levar à desconfiança e ao ciúmes descontrolado é a mudança no comportamento do parceiro, que pode ser interpretada pelo companheiro como sinal de que pode estar havendo ou haver maior oportunidade de traição. A diminuição da frequência sexual de um dos companheiros pode ser uma destas mudanças. O aumento do rol de interesses e interações sociais de um parceiro que "parecia sobre controle", também. Um fator importante em todos os casos de ciúmes demasiado é a prevalência da fantasia em detrimento da realidade, que alimenta esta emoção. Pensamentos e/ou imagens distorcidos aumentam o ciúmes, o que leva a novos pensamentos e/ou imagens distorcidos, em um círculo vicioso.

   O ciumento excessivo, muitas vezes, deve "perder o medo de perder, para não perder". Manter um equilíbrio entre o medo de perder o parceiro e as evidências reais de perigo de abandono é essencial para o ciúmes sadio.

   A ajuda psicológica é indicada se há ciúmes excessivo. 

    Quando houve infidelidade(s) no relacionamento, há sempre um processo para o esquecimento, ficando o casal junto ou não. Se se decide por manter a relação, até que o membro traído recupere sua confiança no parceiro, um nível maior de ciúmes deve ser esperado. Mas se o ciúmes mantém-se intensificado, prejudicando o processo de esquecimento ou até mesmo bloqueando este processo (não cedendo com o envolvimento do parceiro em melhorar o relacionamento, demonstrando arrependimento pelo acontecido e com o reasseguramento deste no correr do tempo), é indicada psicoterapia para o parceiro magoado. A terapia de casal, mesmo quando o ciúmes não chega neste ponto, também pode ajudar bastante o casal a superar os estragos que são causados por uma infidelidade.

CIÚMES, INSEGURANÇA E TRATAMENTO

Kelen de Bernardi Pizol 

"Pelo amor de Deus, eu preciso de uma ajuda urgente,  meu relacionamento esta indo água abaixo por ciúmes meu, não sei o que fazer, ela não me dá motivo, mas também não consigo me controlar, e isso é péssimo para mim e para ela, todos os meus relacionamentos não deram certo por esse motivo."

"Sou um ciumento doentio e possessivo e tenho tido sérios problemas em meu relacionamento, esses problemas estão chegando a ponto de interferirem no meu trabalho e na minha saúde."

"Namoro faz cinco anos e eu sou ciumenta aos extremo, e assim acabo afastando meu  namorado de mim. E sem motivo nenhum, eu sou muito desconfiada. Ou seja, estou sempre achando que ele vai arranjar outra pessoa, e que alguém vai se interessar por ele. Eu gostaria de saber, o que posso fazer para mudar isso??"

"Gostaria de saber se a Dra. pode orientar , pois sou completamente ciumenta, é claro tenho controle, mas preciso ter técnicas para deixar de amar tanto... Infelizmente esse meu ciúme está fazendo com que o meu noivado acabe..."

    Essas são algumas das frases freqüentes de pessoas que me procuram pedindo orientação sobre como lidar com seu ciúmes. Elas estão desesperadas, vendo seus relacionamentos ruírem aos poucos frente aos seus olhos por causa do seu ciúme. Dizem que sabem que devem se controlar, mas na hora não conseguem, é mais forte do que elas. Já tentaram mudar, mas não conseguiram. Gostariam de ter uma resposta certa para como sair dessa situação onde elas mesmas acabaram se pondo, um caminho a seguir para salvar seu namoro, noivado ou casamento, algo que pudesse modificar essas dificuldades e as mágoas que foram se formando pouco a pouco, levadas por esse ciúmes.

    O que procuro mostrar para essas pessoas é que não existe uma resposta rápida nem fácil para essa situação, não há uma fórmula ou conselhos poderosos que as possam, de imediato, fazer deixar de sentir o que sentem e se comportar de modo diferente nas situações que as deixam inseguras.

    As causas do ciúmes são várias e também e por isso vários os modos de se lidar com ele.  O ciúmes pode ser normal, pode ser excessivo mas dentro da normalidade, pode ser patológico. Há várias definições para o ciúme, onde são comum três elementos: 1) ser uma reação frente a uma ameaça percebida; 2) haver um rival real ou imaginário e; 3) essa reação visar eliminar os riscos da perda do amor. Segundo especialistas, o ciúme normal seria transitório, específico e baseado em fatos reais e o ciúmes patológico seria uma preocupação infundada, irracional e descontextualizada.

    Mas independente de quanto intenso é o seu ciúmes ou onde ele se encaixa diagnosticamente, há alguns pontos importantes que podem guiá-lo para decidir se é necessário ajuda. Esses pontos são os seguintes. Se:

a) seu ciúmes está fazendo você ou seu parceiro sofrer;

b) seu relacionamento está sendo prejudicado pelo ciúmes;

c) você tentou lidar com isso outras vezes, mas não obteve êxito;

fazer psicoterapia é um caminho indicado. Quando a questão do ciúmes está mesmo fora de controle, prejudicando seu relacionamento e trazendo sofrimento, ter uma ajuda especializada é importante, seja para melhorar a qualidade de suas relações, seja para não deixar que essa emoção afete tanto sua vida e tenha tantas repercussões negativas. Existem dois caminhos para cuidar do ciúmes: a psicoterapia individual e a terapia de casais. 

    Na psicoterapia serão trabalhadas muitas questões, como a insegurança, as fantasias, o controle, as crenças sobre si, sobre o relacionamento, as expectativas sobre ele, e por aí vai. Além disso, há técnicas específicas que o psicólogo usa com a pessoa ou com o casal, visando melhorar o ciúmes e o relacionamento em geral. 

    Às vezes, apesar de as coisas estarem difíceis, de haver todos esses componentes, mesmo assim há uma certa relutância em se procurar uma ajuda mais aprofundada. Até porque atualmente nossas emoções são deixadas tão de lado, admitir a necessidade de ajuda pode significar para alguns admitir algum tipo de fraqueza ou imaturidade, o que não é absolutamente verdade, ao contrário, para se admitir que se precisa de ajuda é necessário uma boa dose de coragem. 

    Se o seu caso não se encaixa nos pontos acima, mas você está meio preocupado com seu ciúmes, com até que ponto ele pode prejudicar sua relação, procure lembrar que o ciúmes é uma emoção normal, que faz parte do repertório de todos os seres humanos e tem a função adaptativa de nos deixar alertas para a possibilidade de perda da exclusividade e da afeição de nosso parceiro. O amor romântico (aquele que acontece entre homem e mulher) tem o apego em suas raízes e a total abnegação em termos de prioridade e exclusividade, numa relação amorosa, é um tanto utópica. Vale lembrar que o ciúmes também é uma emoção valorizada no amor, por mostrar ao outro que nos importamos com perdê-lo e em tê-lo conosco e que o achamos atrativo para nós e para os possíveis rivais. Então, não devemos rejeitar o nosso lado ciumento, pois seus frutos também podem fortificar e melhorar nossa relação amorosa ou pelo menos dar um sabor especial à ela. 


OS TRANSTORNOS ANSIOSOS

          Há quadros de ansiedade com características bem definidas que são denominados transtornos de ansiedade. Estão entre eles o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno do pânico, as fobias (fobias específicas, fobia social), o transtorno obsessivo-compulsivo e o transtorno do estresse pós-traumático.

          Para cada um deles existem intervenções específicas que buscam maximizar o resultado da psicoterapia, diminuindo o grau de sofrimento e prejuízo e aumentando a qualidade de vida.

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, fobia específica, fobia social, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático (critérios do DSM-IV)

TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

          Caracteriza-se por pelo menos 6 meses de ansiedade e preocupação excessivas e persistentes.

AGORAFOBIA

          A característica mais importante da agorafobia é uma ansiedade acerca de estar em locais ou situações de onde possa ser difícil (ou embaraçoso) escapar ou onde o auxílio pode não estar disponível, na eventualidade de ter um ataque de pânico ou sintomas tipo pânico (p.e., medo de ter um ataque súbito de tontura ou um ataque súbito de diarréia).

          A ansiedade leva à esquiva de uma várias situações, como estar sozinho fora de casa ou estar sozinho em casa, estar no meio de uma multidão, viajar de automóvel, ônibus ou avião, estar em uma ponte ou elevador. Algumas pessoas conseguem enfrentar as situações temidas, mas com considerável temor. Muitas vezes uma pessoa é capaz de enfrentar uma situação temida quando acompanhada por alguém de confiança.

          A evitação de situações pode prejudicar a capacidade da pessoa de ir ao trabalho ou realizar atividades cotidianas (p.e., fazer compras do dia-a-dia, levar os filhos ao médico). A ansiedade ou esquiva fóbica não é melhor explicada por outro transtorno mental.

TRANSTORNO DO PÂNICO

          É um transtorno cuja característica principal são pelo menos dois ataques de pânico recorrentes e inesperados seguidos por pelo menos 1 mês de preocupação persistente acerca de ter um outro ataque de pânico, preocupação sobre as possíveis implicações ou conseqüências dos ataques de pânico, ou uma alteração comportamental significativa relacionada aos ataques.

          Os ataques não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (p.e., intoxicação com cafeína) ou de uma condição médica geral (p.e., hipertiroidismo), e não são melhores explicados por um outro transtorno mental (p.e., fobia específica). Dependendo se há ou não agorafobia, é classificado como Transtorno de pânico com agorafobia ou Transtorno de pânico sem agorafobia.

Ataque de Pânico: é um período distinto de intenso temor ou desconforto, no qual 4 ou mais dos seguintes sintomas desenvolveram-se abruptamente e alcançaram um pico em 10 minutos:

- palpitações ou ritmo cardíaco acelerado

-sudorese

-tremores ou abalos

-sensações de falta de ar ou sufocamento

- sensações de asfixia

- dor ou desconforto torácico

- náusea ou desconforto abdominal

- sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio

- desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (estar distanciado de si mesmo)

- medo de perder o controle ou enlouquecer

- medo de morrer

- anestesia ou sensações de formigamento

- calafrios ou ondas de calor


TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO PÂNICO

Kelen de Bernardi Pizol 

          O transtorno do pânico pode ser tratado através de terapia cognitiva comportamental, ou com medicamentos antidepressivos, por exemplo. Os dados científicos sobre a eficácia de cada um destes tratamentos mostram índices de melhora parecidos, em estudos de curto prazo. Fazer os dois tratamentos concomitantemente é uma opção bastante válida e tem sido apontada como a melhor, pela sua sinergia.

        O tratamento com terapia cognitiva comportamental focaliza-se principalmente na correção de pensamentos sobre os sintomas de ansiedade e na aprendizagem de como lidar com estes sintomas, de modo a não chegar a ter o ataque de pânico. Ou seja, a pessoa aprende a controlar a ocorrência dos ataques, diminuindo assim sua freqüência. Quando há agorafobia, técnicas comportamentais específicas também entram em cena. É comum a pessoa apresentar outros transtornos ansiosos (como fobias ou transtorno obsessivo compulsivo, por exemplo) ou depressão junto com o transtorno do pânico, e  a psicoterapia também é importante nestes casos.

          Há pessoas que preferem fazer somente o tratamento psicológico, já que ele também costuma ser eficaz, porque o tratamento farmacológico pode ter efeitos colaterais, que podem levar ao abandono do uso da medicação. 

O TRANSTORNO DO PÂNICO A LONGO PRAZO

Kelen de Bernardi Pizol 

    O transtorno do pânico é uma doença psiquiátrica crônica. Isto significa que mesmo após um tratamento bem sucedido, os ataques de pânico podem voltar. Então, deve haver um seguimento do tratamento, mesmo depois que a pessoa melhorou e não apresenta mais ataques.

    O tratamento a curto prazo, tanto com terapia cognitiva comportamental quanto com medicação (principalmente os dois juntos) costuma ser eficaz. Mas com o passar do tempo o índice de recaída é alto, ou seja, muitos pacientes voltam a ter ataques de pânico.

   Por que isto acontece? Existem várias razões, ligadas tanto ao paciente quanto ao tratamento, que podem estar envolvidas, tais como a pessoa ter outros transtornos psiquiátricos ou doenças, passar por situações estressantes, alguns fatores psicológicos não terem sido tratados (como a sensibilidade à ansiedade, por exemplo), a dose, duração e os efeitos colaterais dos antidepressivos ministrados, entre outras causas.

   O acompanhamento a longo prazo do paciente é importante para se tentar evitar recaídas. Diante da perspectiva de não ter um tratamento com começo-meio-e-fim, muitos pacientes podem ficar decepcionados e frustrados, mas conhecer o curso da doença e saber que não se deve largar o tratamento quando se está bem, é meio caminho andado para não se perder os avanços feitos até então e manter a qualidade de vida.

   Depois que a pessoa melhorou,  as sessões de psicoterapia com o psicólogo passam a ser mais espaçadas e sempre que o paciente necessitar, sentir que está mais ansioso ou ter algum ataque, ele pode e deve procurar seu psicólogo, marcando sessões extras até que a situação se equilibre novamente. Deve também comparecer sempre às sessões  de seguimento, para que o psicólogo possar avaliar como ele está indo, se há necessidade de novas intervenções e quando deverá voltar. Isto vale também para o tratamento farmacológico com o psiquiatra.


 FOBIA ESPECÍFICA

          É o medo acentuado e persistente ou irracional de objetos ou situações discerníveis e circunscritos.

          A exposição ao estímulo fóbico provoca uma resposta de ansiedade, que pode chegar à intensidade de um ataque de pânico. O medo é reconhecido como excessivo ou irracional, se não for sentido por uma criança.

          Os objetos ou situações são evitados, e a esquiva, medo ou antecipação ansiosa do encontro com estes objetos ou situações interferem significativamente na vida da pessoa, prejudicando o desempenho ou a vida social ou causando grande sofrimento.

          O foco do medo pode ser a perda do controle (lugares fechados), a previsão de um dano causado pelo objeto ou situação (aviões, pelo medo da queda; dirigir, pelo medo de colisões) ou desmaiar (sangue e ferimentos). Subtipos: animal (medo causado por animais ou insetos), ambiente natural (circunstâncias naturais, como tempestades, altura ou água), sangue-infeção-ferimento (visão de sangue e ferimentos, receber injeções ou submeter-se a cirurgias levam ao medo e também à uma resposta física característica), situacional (medo de túneis, pontes, lugares fechados, aviões ou de dirigir), medo de doenças, de espaços abertos, de engasgar, vomitar ou de situações que poderiam levar à asfixia.

FOBIA SOCIAL

          É o medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho nas quais o constrangimento pode ocorrer. A exposição a essas situações provoca quase sempre uma resposta imediata de ansiedade. O medo geralmente é reconhecido como exagerado ou irracional.

          As situações sociais ou de desempenho são evitadas ou toleradas com sofrimento excessivo. A esquiva ou desconforto interferem significantemente na rotina diária de trabalho, social ou causam muito sofrimento.

          As situações que desencadeiam ansiedade mais comuns são: falar em público, comer, beber e escrever diante das pessoas, conversar com as pessoas, ir a festas ou reuniões, ambientes em que estejam outras pessoas (transportes coletivos, clubes, escolas, lojas), falar ao telefone, situações de paquera ou ansiedade de encontros.

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

          Este transtorno se caracteriza principalmente por obsessões e compulsões persistentes que fazem com que a pessoa perca tempo, sofra ou tenha sua vida prejudicada por elas. Pelo menos em algum período do transtorno a pessoa reconhece que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais (menos se for uma criança ou alguém com insight pobre).

Obsessões: são idéias, pensamentos, impulsos ou imagens mentais persistentes vivenciadas como intrusivas e que causam ansiedade. Seu conteúdo é indesejado, mas a pessoa não tem controle sobre ele, apesar de reconhecer que são os seus próprios pensamentos. Não há relação com preocupações com dificuldades reais, como problemas financeiros, profissionais e afetivos. Exemplos comuns: pensamentos repetidos sobre contaminação, dúvidas repetidas, necessidade de organizar as coisas em determinada ordem, impulsos agressivos e imagens sexuais.

Compulsões ou rituais: são comportamentos repetitivos ou atos mentais que têm o objetivo de reduzir a ansiedade gerada pela obsessão. Por exemplo, a pessoa acha que está contaminada pela sujeira (obsessão) e para aliviar a ansiedade que isto lhe causa, lava as mãos várias vezes por dia para limpá-las (compulsão). As formas mais comuns de compulsões são limpeza, repetição, verificação, coleção, ordem e simetria.

TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

          No transtorno de estresse pós-traumático, há a exposição a um evento traumático, onde a pessoa vivencia ou testemunha situações que envolvam morte ou ferimento grave ou ameaça à integridade física própria ou de outros, levando a uma resposta de medo, impotência ou horror. Após isto, há revivescência persistente do trauma, com lembranças aflitivas e intrusivas, através de imagens, pensamentos, episódios de flashbacks e sonhos aflitivos.

          Existe sofrimento físico e psicológico quando acontece exposição à situações que lembrem algum aspecto do trauma.

          A pessoa se esquiva persistentemente de estímulos associados com o trauma (locais, conversas, pensamentos e pessoas que lembrem o trauma são evitados) e há torpor emocional, um distanciamento emocional, isolamento social, diminuição do interesse, incapacidade para recordar aspectos relativos ao trauma, diminuição do afeto (capacidade de sentir), falta de expectativas em relação à vida. O indivíduo tem insônia, irritabilidade, dificuldade para se concentrar, hipervigilância e sobressaltos. Este quadro persiste por pelo menos um mês e acarreta prejuízo significativo na vida profissional ou social.


DEPRESSÃO: TRATAMENTO PSICOLÓGICO

          São inúmeros os fatores que podem estar ligados ao início e à evolução da depressão. Pode haver influência de fatores psicológicos, da história de vida, da herança familiar e de variáveis biológicas.

          Há diferentes tipos de depressão e diferentes causas para ela. Nem sempre a depressão é causada por um acontecimento ruim na vida da pessoa. Muitas pessoas, quando olham para trás, percebem que desde cedo já viam a vida cinzenta, sentiam-se desanimadas e tristes.

          O acompanhamento psicológico leva em conta estas diferenças, mas em todos os casos tem como objetivo modificar os pensametos negativos, aumentar a auto-estima, modificar comportamentos e melhorar a qualidade de vida.

          Quanto mais deprimida uma pessoa está, mais ela tem pensamentos depressivos e mais ela acredita nestes pensamentos. E quanto mais pensamentos depressivos ela tem, mais ela acredita nestes pensamentos e mais deprimida ela fica. O psicólogo vai tentar auxiliar o paciente a quebrar este círculo vicioso.

          No caso de um evento ser o estopim do processo depressivo, o modelo psicológico cognitivo sugere o seguinte: incidentes críticos na vida da pessoa podem ativar crenças disfuncionais e rígidas que ela criou ao longo de sua vida, através de suas experiências anteriores. Os pensamentos negativos invadem sua mente, sejam resultado de sua experiência atual, de lembranças de fatos do passado ou de previsões de eventos futuros e levam a outros sintomas depressivos, em vários níveis: emocional (p.e., tristeza, culpa, ansiedade), físico (p.e., perda de sono, perda de apetite), comportamental (p.e., retraimento, agressividade, diminuição da atividade), motivacional (p.e., inércia, perda de interresse) e cognitivo (p.e., diminuição da concentração, indecisão). Os pensamentos negativos vão cada vez mais aumentando em número e tamanho e tomando o lugar dos pensamentos racionais.

          Nas sessões,  procura-se modificar os pensamentos negativos que levam aos sintomas da depressão, além de modificar comportamentos e auxiliar a pessoa a desenvolver habilidades para a resolução de problemas.

Como saber se você está deprimido?

          A pessoa deprimida sente-se triste,muitas vezes chorosa. Ela fica mais irritada do que o normal, sentindo-se tensa, ansiosa. Tem pouca energia para realizar até mesmo as tarefas normais do dia-a-dia e precisa realizar um grande esforço para fazê-las. Não sente mais prazer em atividades que traziam prazer anteriormente, o interesse por essas atividades já não é mais o mesmo. É difícil levantar da cama ao acordar e dar continuidade às coisas. O deprimido pode passar horas deitado na cama ou sentado em um sofá.

          As dificuldades parecem intransponíveis, imensas. O modo como o deprimido se sente também é fonte de preocupação para ele. Ele perde a esperança e pensa que nunca mais sairá deste estado em que se encontra. Parece que não há saída. Os pensamentos negativos tomam conta de si e pensamentos de morte são comuns. Pode haver desejo de morrer e de suicídio.

          A pessoa deprimida sente-se frequentemente culpada. Ela acredita que é fonte de decepção para outras pessoas. Também pode sentir que não é querida ou amada pelos outros. Em determinados momentos, pode sentir um torpor emocional, perdendo a capacidade de reagir emocionalmente tanto às coisas boas quanto às ruins.

          Ela tem dificuldade de concentração e por isso lembra menos das coisas. Tem alterações do sono (algumas pessoas dormemm demais e em outras têm dificuldade para dormir). O apetite pode diminuir e o desejo sexual desaparecer. Nem todos estes sintomas precisam apresentar-se juntos, ao mesmo tempo, para se estar deprimido.

Procurar ajuda é importante!

          A família ou amigos também devem encaminhar quem está deprimido a um profissional, pois devido à pouca energia e esperança característica deste estado, muitas vezes é difícil ao deprimido até mesmo pedir ajuda.


ESTRESSE

   O termo estresse é muito difundido na nossa cultura, mas muitas vezes utilizado incorretamente, porque geralmente se confundem as causas, as fontes e os fatores de estresse como se isto fosse estresse, quando na verdade o termo estresse refere-se a um processo psicofisiológico que acontece no organismo.

    Perceba melhor esta distinção:

Estressor é a situação, o evento, que está causando o estresse, que desencadeia a excitação em nosso organismo. Pode ser estímulos ambientais, sociais ou mesmo cognições. Qualquer estímulo pode ser estressante, se tiver características punitivas ou adversas.  Para isto contribuem a intensidade, a frequência e a qualidade do estímulo; 

Reação de estresse é o comportamento que temos, decorrente deste processo chamado estresse. As reações de estresse se dão em nível motor (tensão dos músculos estriados), nível vegetativo (preparo do organismo para ataque ou fuga) e nível subjetivo-cognoscitivo (reações emocionais e cognitivas); 

e

ESTRESSE é "uma alteração fisiológica que se processa no organismo quando este se encontra em uma situação, que requeira dele uma reação mais forte que aquela que corresponde à sua atividade orgânica normal" (definição de Hans Selye, 1936).

    Ou seja, nosso organismo geralmente está em um estado de equilíbrio funcional - a chamada homeostase - e quando responde a um estímulo, seja ele externo (algo do ambiente,  um evento) seja ele interno (como pensamentos ou fantasias), o equilíbrio se quebra e o organismo tenta se adaptar a isso.

   Ainda segundo Selye (1976), o estresse é a "tensão" do organismo obrigado a se mobilizar para enfrentar situações perigosas.

    Todo o processo chamado estresse envolve uma complexa interação entre o hipotálamo, o sistema límbico e o sistema endócrino.  

    Quando o mecanismo de adaptação é excessivo, devido à cronicidade de exposição ao estressor, o organismo acaba se auto lesando, surgindo doenças como hipertensão, infarto, úlcera, etc.

Sintomas de estresse

   Vários estudos apontam o estresse como um fator de risco para doenças. Eventos negativos são melhores preditores de doença do que os positivos e diferentes indivíduos respondem de maneira diferente ao mesmo estímulo negativo. Vejamos como o organismo reage ao estresse. 

    Ao ser ativado por um agente estressor, nosso organismo tem uma reação de alarme. Ele se mobiliza para dar conta desse estímulo e busca reestabelecer seu equilíbrio interno (homeostase). Isso foi chamado por Hans Selye (1951) de Síndrome Geral de Adaptação, um conjunto de reações não específicas desencadeadas por estímulos crônicos de origem traumática, tóxica, infecciosa ou emocional.

  Quando somos expostos à situações estressantes, nosso organismo tem determinadas reações, dependendo de quanto perdure o estresse. Estes estágios pelos quais o organismo pode passar têm as seguintes características: 

* fase de alerta ou alarme - aqui se dá a reação aguda de estresse, normal, com comportamento de ataque ou fuga. Há estimulação do sistema nervoso autonômico. Depois da reação, o equilíbrio interno se reestabelece.

* fase de resistência - há intensificação da reação ao estresse, com os efeitos perdurando por mais tempo. O corpo tenta se adaptar às demandas fisiológicas depositadas nele;

* fase de esgotamento ou exautão - a exposição prolongada a estressores provoca danos irreversíveis. Os índices normais de atividade orgânica se alteram, acontece diminuição da resistência imunológica, a reação interna concentra-se em um determinado órgão, surgindo patologias, além de sintomas psíquicos.

    Também os sintomas experimentados pela pessoa devido ao estresse diferem em cada estágio:

Alarme

músculos sempre tensos

taquicardia

distúrbios gastrointestinais

sudorese

irritabilidade

pressão no peito

zumbido nos ouvidos

mãos e pés frios

dor de cabeça

sensação de esgotamento

pressão muito alta ou baixa

insônia

fadiga crônica

pesadelos, etc

Resistência

medo

ansiedade

queda de cabelo

ranger de dentes

oscilação de apetite

roer de unhas

impotência sexual temporária

evitação de situações sociais

Esgotamento

sintomas de patologia específica

   Algumas doenças para as quais o estresse é um fator de risco: depressão, resfriado comum, alguns tipos de câncer, doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, doenças cardíacas), diabetes, obesidade.

Estresse e fatores que contribuem para levar ao adoecimento

   A pesquisa sobre o estresse avança cada vez mais, desde o trabalho pioneiro de Hans Selye. Hoje, já se tem em vista os vários fatores que interagem causando problemas, segundo a perspectiva biopsicossocial:

    Fatores Biológicos:

    Já se sabe que a reação ao estresse:

  • tem forte componente genético

  • depende da reatividade do sistema nervoso autonômico

  • é influenciada por aspectos biológicos de gênero

    Fatores Psicológicos

  • A interpretação dos eventos estressantes tem papel determinante em como se responde ao estresse.

  • a avaliação da pessoa a leva a ver ou não o estressor como uma ameaça

  • perceber os eventos estressores sociais  como sob controle protegem contra o estresse

  • as respostas de coping (como se lida com o estresse) podem minimizar ou exacerbar o estresse

  • o estresse psicológico afeta os sistema nervoso autonômico e o sistema neuroendócrino. Mudanças neuroendócrinas podem danificar neurônios e prejudicar a habilidade do organismo de lidar com o estímulo estressante. Estresse  prolongado leva a liberação excessiva de glucocorticóides, o que pode prejudicar seriamente ou até matar neurônios no hipocampo.

  • traços de personalidade são associados à problemas do coração

    Fatores Sociais

  • o estresse social pode levar a reações de coping mal adaptativas

  • a condição socioeconômica e a disponibilidade de suporte social pode proteger contra o estresse

  • o estresse social aumenta o nível de hormônio cortisol, o que leva ao aumento da secreção de insulina e níveis elevados destes dois hormônios aumentam, por sua vez, o risco de doenças do coração

Importante!

   Como se pode perceber, o tratamento psicológico é relevante no tratamento do estresse e na profilaxia de doenças causadas pelo estresse, devido a grande influência dos fatores psicológicos nos mecanismos biológicos do estresse e de sua forte interação com os fatores sociais.


AUXÍLIO PSICOLÓGICO PARA PARAR DE FUMAR

          Parar de fumar não é fácil, mas os benefícios à curto e longo prazo confirmam a validade desta decisão.

          O auxílio psicológico é de grande ajuda quando se decide parar de fumar, tanto no processo de parada quanto no período de seguimento.

          O psicólogo pode atuar no processo de decisão de deixar o cigarro e no abandono deste, através de técnicas comportamentais e cognitivas, informação e trabalhando a motivação. Através do monitoramento do comportamento do paciente, traça-se uma estratégia de abandono e acompanhamento que se enquadre especificamente àquela pessoa. 

          O acompanhamento do fumante após a parada é importantíssimo, pois grande parte dos fumantes costuma recair e voltar a fumar. O acompanhamento psicológico tem por objetivo ajudar a prevenir recaídas e procurar buscar alternativas efetivas que levem ao abandono do vício, além de haver auxílio psicológico para trabalhar outras questões que podem surgir no decorrer do processo, como questões relativas à ansiedade, depressão e relacionamentos. 

          A motivação é um aspecto bastante relevante para se deixar de fumar. A grande maioria das pessoas que conseguem fumar não obtém sucesso na primeira vez, então persistir é essencial, pois uma experiência internacional comprovou que 70% das pessoas com persistência, que procuram parar de fumar, conseguem. 

          dois modos de se parar de fumar: a parada gradual e a parada imediata. Há mais de uma técnica que pode ser utilizada para se parar de fumar progressivamente. Apesar de muitos fumantes poderem escolherem parar de fumar pelo modo progressivo, estudos demonstram que a cessação abrupta do fumar deve ser sempre a primeira opção.

Os males à saúde

          O CIGARRO CAUSA 3 MILHÕES DE MORTES POR ANO!!!

          CADA CIGARRO FUMADO REDUZ 15 A 20 MINUTOS DE VIDA!!!

          UM CIGARRO CONTÉM 4720 SUBSTÂNCIAS TÓXICAS!!!

          Os prejuízos à saúde que o cigarro pode causar são diversos. Estão entre eles:

  • Enfarto do Miocárdio - 20-25% dos enfartos de miocárdio ocorrem entre os fumantes. Um cigarro fumado aumenta 8 a 10 batimentos do coração por minuto

  • Impotência - Fumar reduz o fluxo vascular periférico. Ou seja, o fluxo de sangue necessário para atingir uma ereção pode ser bloqueado. Logo, fumar pode arruinar sua vida sexual...

  • Tosse, Dor de garganta, Bronquite -> 80% das pessoas que têm bronquite fumam

  • Fragilidade óssea- vários estudos ligam fumo e osteoporose em ambos os sexos. Isso pode acontecer porque fumar afeta a síntese de estrogeno e outros hormônios necessários para se ter ossos saudáveis. Uma vez perdida, a densidade óssea não pode ser recuperada completamente

  • Rugas faciais, Pés -de-Galinha, Linhas verticais ao redor da boca.- fumar causa vasoconstrição dos capilares faciais, o que reduz o fluxo de oxigênio e nutrientes para as células da pele. Os danos à pele são na maior parte irreversíveis!

  • Mal cheiro - o odor desagradável da fumaça de cigarro impregna a pele, os cabelos, as roupas e o ambiente...

  • Dentes manchados e mal hálito - partículas na fumaça do cigarro deixam os dentes amarelados e causam bactérias produtoras de odor. e perda de dentes são comuns em fumantes.

  • Gengivite - fumar pode ser o responsável por metade dos casos de gengivite nos EUA!

  • Problemas de circulação - nos fumantes, moléculas de oxigênio são deslocadas da hemoglobina (as células de hemoglobina distribuem oxigênio pelo corpo) pelos componentes da fumaça de cigarro, bloqueando a transferência do oxigênio para o corpo. Um dos efeitos menores disso são mão e pés frios e pontadas dolorosas. Mas os problemas de circulação podem levar à gangrena e à amputação do órgão afetado! Fumantes antigos têm os vasos sanguíneos desgastados 10 a 15 anos antes dos não- fumantes

  • Diversos tipos de câncer: Câncer na Boca, Câncer no Esôfago,Câncer na Garganta, Tumor nas cordas vocais - o cigarro contém aproximadamente 60 substâncias cancerígenas. Calcula-se que 20 cigarros por dia durante 20 anos resultam em um depósito de 6 quilos de fuligem nos pulmões. 30%dos casos de câncer do pulmão em não fumantes relacionam-se ao fumo passivo. Todo ano morrem de câncer  mais de 5000 americanos que são fumantes passivos    

  • Depressão

Benefícios do abandono

            O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ PÁRA DE FUMAR???

           Após 20 minutos a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal

          Após 2 horas não há mais nicotina circulando no sangue

          Após 8 horas o nível de oxigênio no sangue fica normal

          Após 12 a 24 horas os pulmões já funcionam melhor

          Após 2 dias o olfato e o paladar já  melhoraram 

          Após 3 semanas nota-se que a respiração e a circulação melhoraram

          Após 1 ano o risco de morte por infarto do miocárdio já reduziu à metade

          Após 5 a 10 anos o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram   

Parando de fumar, você:

           Melhorará sua saúde

          Terá uma aparência melhor

          Prolongará sua vida

          Melhorará sua atividade sexual

          Economizará dinheiro

          Irá se sentir mais saudável

          Melhorará seu paladar e seu cheiro

          Melhorará a saúde das pessoas ao seu redor


IDENTIDADE SEXUAL E ESTRESSE

   A homossexualidade e a bissexualidade foram tratados por muito tempo como tabus e marcados pelo preconceito também pela psicologia, sendo vistos como desviantes e indesejáveis.

   Ainda hoje, algumas correntes teóricas vêm a homossexualidade como um estacionamento no desenvolvimento psico-emocional-sexual da pessoa ou mesmo como uma doença mental. Mas estas visões não se sustentam, tanto por não haver suporte empírico adequado para suas conclusões, quanto pelo resultado de numerosas pesquisas com metodologia apropriada apontarem em outra direção.

   Na verdade, a diferença que a psicologia aponta entre heterossexuais e homossexuais tem a ver com o estresse que os  homossexuais vivem devido ao estigma relacionado com sua orientação sexual. Os psicólogos, assim, procuram levar em conta e entender os modos pelos quais a estigmatização social, seja na forma de preconceito, violência ou discriminação, coloca em risco a saúde mental e o bem-estar de seus pacientes gays, lésbicas e bissexuais.

   Discriminação e experiências negativas em ambientes sociais são fatores de risco para dificuldades emocionais e problemas de saúde mental. Já se sabe que o estresse social aumenta o risco de sofrimento emocional, abuso de drogas e tentativas de suicídio, por exemplo.

   Eventos estressores entre gays, lésbicas e bissexuais assumidos vão desde acontecimentos graves como perda de emprego, violência, despejo, dificuldades com custódia de crianças, até perturbações diárias tais como piadas de mau gosto ou denominações discriminatórias.

   Pesquisas americanas apontam para um aumento da vulnerabilidade e isolamento entre adolescentes e jovens homossexuais, devido ao estresse social. Ele foi associado com problemas acadêmicos, prostituição, fuga de casa, uso de drogas e até mesmo suicídio nestas populações. A rejeição da família pode ser uma das causas do estresse. Mas mesmo com o apoio da família, a revelação precoce de uma identidade homo ou bissexual pode aumentar o risco da pessoa tornar-se vítima de violência, tentar suicídio ou utilizar drogas.

   Além de estressores externos, outro fator de risco à saúde mental de gays, lésbicas e bissexuais é a internalização de atitudes sociais negativas, levando a problemas de auto-imagem (desde falta de auto-confiança até ódio de si mesmo).

   Psicoterapia é indicada tanto para os casos acima quanto para  dificuldades em lidar com os estressores sociais (levando ao prejuízo da saúde ou comportamentos mal adaptativos).

   texto baseado em diretrizes para psicoterapia da American Psychological Association - mais detalhes emhttp://www.apa.org/pi/lgbc

ATENDIMENTO PSICOLÓGICO PARA GAYS, LÉSBICAS E BISSEXUAIS 

   Há muitos temas tratados comumente por uma variedade de pacientes, inclusive os glb, tais como ansiedade, depressão, etc. Para todos os pacientes, as particularidades de cada um são levadas em conta no desenvolvimento da psicoterapia.

   Questões específicas que costumam aparecer na população glb relacionam-se, de variadas formas, à sua orientação sexual.

   Uma questão importante para muitos destes pacientes é o conflito ou desconforto com sua orientação sexual, tanto a dúvida quanto a isto quanto o questionamento sobre sua implicações. É algo que pode ser bastante sofrido, pois envolve a auto-imagem da pessoa e as pressões que ela enfrenta ou enfrentará para afirmar sua identidade. São crises vividas por indefinição da orientação sexual, por quem teme o que acontecerá com a revelação de sua orientação ou por quem assumiu uma orientação e passa por situações problemáticas por isso.

   Os medos ligados à identidade sexual podem passar por pontos como vulnerabilidade à discriminação, violência, hostilização pelos outros ou o temor de perdas pessoais possíveis (na família, entre amigos, no trabalho, na comunidade religiosa ou espiritual). Além disso, os esteriótipos ou as experiências do paciente a esse respeito podem ser negativos e influenciar em sua crise, como por exemplo encarar o estilo de vida homossexual como desapegado emocionalmente ou  promíscuo.

   Para pessoas mais religiosas (como católicos, protestantes, evangélicos, etc) há tanto a própria questão religiosa envolvida, quanto um grande medo da reação familiar e/ou da comunidade.

   Principalmente em adolescente e jovens, o modo como a família reagirá se a pessoa revelar sua orientação sexual toma contornos mais práticos, pois em muitos casos a possibilidade de ser mandado embora de casa ou não ter mais o apoio econômico dos pais, além do apoio emocional, é bastante real.

   Sentir-se culpado por sua identidade, ter ódio de si mesmo, são exemplos de dificuldades de auto-imagem trabalhadas em psicoterapia.

   Maior complexidade é envolvida quando o paciente vem de grupos raciais ou étnicos específicos, pois se adicionam aí variações culturais, como normas, valores e crenças peculiares que podem ser importantes fontes de estresse psicológico.

   Existem ainda muitos outros pontos particulares que podem ser abordados na psicoterapia com pacientes homo ou bissexuais e que não foram relatados aqui. Por exemplo, além das diferenças individuais, ser gay ou lésbica ou homossexual ou bissexual trás suas especificidades. A idade do paciente também é um fator do qual podem emergir diferentes questões. Mas independentemente do conteúdo da psicoterapia, o posicionamento do psicólogo é sempre de cooperação, respeito e aceitação.

   texto baseado em diretrizes para psicoterapia da American Psychological Association - http://www.apa.org/pi/lgbc/homepage.html